de marina aniram

5.2.09

O triste fim da inane avestruz

Vai ficar roxa à toa
Encarnar um avestruz
Tergiversar como tola
E colher fruto hostil

Vai notar ao cruzar um espelho
Os reflexos de mais um pretexto
A débil morada do anfitrião
Que caminha com pés de sabão

Vai notar levemente
Todos de ponta à cabeça
Perceber lentamente:
Trocara os pés pelas mãos


(E se não fosse só isso
Submergiu num universo
De concreto maciço)


Esvaindo-se a luz
Não ganhará um buraco
Mas um abismo talhado em fraquezas [sem pé nem cabeça]
Um belo fim pr'uma inane avestruz.

28.1.09

'À noite, Anônimos'

Eu precisava mesmo de uma injeção de ânimo
Enlouquecer um pouco, perder o controle, [correr], mergulhar!
Do fundo do poço trouxemos à luz uns segredos que soltamos no ar
“Não importa o fato de ainda sermos anônimos”
“Amanhã de manhã vou partir... não sabemos nem como nem onde nem quando nossas histórias distintas [novamente] irão se cruzar”

Restou aproveitar o momento
Dar um gelo no tempo e se entregar
Registrar cada gesto e sorriso e beijo e abraço
Aprender novos passos
“Eu nem sei dançar!”

“Não importa o fato de ainda sermos anônimos”
“Eu precisava mesmo perder o controle”
“De uma injeção ânimo”
“Não quero acordar”.

Náusea

Você entrou num trem que partiu
Na direção oposta a que sempre quis
Ficou a ver navios
E foi tomar todas as drogas que conseguiu...

Mais uma vez acorrentado
Mais uma vez vai se encontrar preso
Às insistentes gotas tão certas na testa
E o que lhe resta é um quadro imenso e vazio

Os segundos derretidos se vão [transfigurados]
São agora minutos que não passam
São horas e horas e horas morosas
De um dia que move em câmera lenta
A mente e corpo rendidos de [mais] um caído no chão

Mais uma vez acorrentado
Mais uma vez Mais uma vez vai se encontrar preso
Às insistentes gotas tão certas na testa festa após festa
E o que lhe resta é uma falsa lembrança de [certos melhores] momentos que não vão existir.

4.7.08

Arte, Final (?)

É o Amarelo que poderia tomar outras cores
É o Azul que se importa ao não fechar suas portas
É preciso que traga o Branco o vazio necessário pra recomeçar.
E que a poeira, o pó e o que um dia foi e cortou não sejam mais que uma partícula Cinza que vaga sem se notar.

E se assim for, os traços vão-se moldando!
Modificam o universo pálido de até então
A chuva, de um Lilás agora sereno,
Não mais vai esconder a sua estrada
Vai nutrir de Verde um tronco forte e tenaz
Capaz de suportar todas as cores do seu coração.

18.6.08

Comigo (Mesmo)

O que deixamos de lado, hoje, fez o dia findar tão sem sal.
O que dissemos um ao outro faria o menino do nariz que oscila ao falar parecer um tanto banal
O que há de atentado em querer que a cabeça que quebra, cena após cena, encaixe uma peça em seu devido lugar?
Lá no fundo, onde a luz consiga achar um caminho,
Vamos-nos encontrar...

Pode o cinza tomar o céu onde estou e me privar do luar
Pode o pneu estourar e tentar me impedir de chegar
Poderia a areia mover o que for a fim de me aprisionar
Lá no fundo, onde a luz consiga achar um caminho,
Vamos-nos encontrar!

17.6.08

Labirinto?

Tento expulsar com palavras
Mas elas não me servem mais.
Entre mistérios e rabiscos, vou levando...
E deixo-me levar.

Não questiono,
Pouco importa qual fim terá!

Brinco com o tempo, com a ironia,
E com os segredos e abismos nos quais o destino insiste em me jogar.

Será um monstro ou um golfinho,
O alçar de um vôo ou um breve salto para o precipício...
Será um dia em linha reta ou o amanhecer num labirinto...

Não questiono,
Vou levando...
Agora pouco importa qual fim terá!

Sigo neste encontro às cegas
Com o que em mim habita
E persiste dizer, gritando:
“Tira-me de mim!”

Anoiteci num labirinto!

O Salto das 7 Quedas

Tombei, e o vitorioso foi você...
Tomei as suas dores
E assumi a culpa por perder
Alguns amores
Alguns amores

Tombei,
E agora não demora
O tempo vai parecer
Passar sem corda

Culpei o caos dos dias
Fui em busca de alegria
E saltei!

Busquei a fuga fácil
Busquei a fuga fácil
Busquei a fuga fácil

Solo

Observo o (breve) adeus do céu às cores quentes,
A folha entregue ao sopro incerto do ar em movimento.
Num vôo leve (frágil) e solitário.
Então sorrio e penso...
“Temos mesmo algo em comum”
E quem me diz é o tempo.

23.5.08

Delgado

O céu explode em minha mente
Enquanto a perco no horizonte
As chamas perturbam o sono
Da infância adormecida em mim

Toda a inocência de amar sem temer
De temer sem saber o por quê
Reluz, esvai-se e provoca escuridão.

Desde o dia que você partiu
Meu
coração se contorce e chora.
E ao chorar, sente.
E ao sentir, vive





Um sonho.